Alertas de desmatamento na Amazônia caem 36,9% e atingem menor nível da série do Inpe; Cerrado tem queda de 7,8%
Foto aérea mostra uma área desmatada durante uma operação de combate ao desmatamento perto de Uruara, Estado do Pará, em 21 de janeiro de 2023. Reproduçã...
Foto aérea mostra uma área desmatada durante uma operação de combate ao desmatamento perto de Uruara, Estado do Pará, em 21 de janeiro de 2023. Reprodução/Reuters A área sob alerta de desmatamento na Amazônia caiu 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026 e atingiu o menor nível da série atual do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 2.874,38 km² sob alerta no período, contra cerca de 4.495 km² no ciclo anterior. Além de ser o menor valor desde o início da série, em 2016, o resultado ficou 55,6% abaixo da média dos últimos dez ciclos. No Cerrado, também houve redução, mas em ritmo menor: os alertas caíram 7,8%, para 5.119,46 km² entre agosto do ano passado e julho deste ano. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Inpe. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da coletiva com a divulgação dos números na sede do instituto, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Apesar da queda nos dois biomas, o Cerrado terminou o ciclo com uma área sob alerta bem maior: foram cerca de 5,1 mil km², contra 2,9 mil km² na Amazônia. ➡️ ENTENDA: Os dados do Deter não representam a taxa oficial de desmatamento. O sistema funciona como uma ferramenta de acompanhamento rápido e ajuda a orientar ações de fiscalização. A taxa oficial é calculada pelo Prodes, também do Inpe, com uma análise mais detalhada das imagens de satélite (entenda mais ABAIXO). Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Na Amazônia, a redução ocorreu na maior parte dos estados com as maiores áreas sob alerta. O Pará continuou na liderança, com 987,27 km², mas registrou queda de 25,5% em relação ao ciclo anterior. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 834,41 km², e Amazonas, com 433,9 km². Mato Grosso teve redução de 49%, enquanto no Amazonas a queda foi de 46,7%. Também houve recuo no Acre, de 35,3%, e em Rondônia, de 41,2%. Roraima foi na direção contrária: os alertas aumentaram 32,5%, chegando a 272,6 km². No Cerrado, a maior área sob alerta foi registrada no Maranhão, com 1.276,92 km², seguido por Tocantins, com 1.189,9 km². Agora no g1 O que explica a queda? A nova queda na Amazônia reforça uma tendência que já aparecia nos dados do primeiro semestre. Entre janeiro e junho deste ano, o bioma havia registrado 1.295 km² sob alerta, também o menor patamar da série para os seis primeiros meses do ano. Segundo cálculo do Observatório do Clima com base nos dados do Deter, os alertas na Amazônia somaram 19.642 km² nos quatro ciclos entre 2023 e 2026, cerca de 41% abaixo dos aproximadamente 33,4 mil km² registrados nos quatro anos anteriores. "É um número extremamente positivo, importante para a floresta, para a imagem do país e para o clima no mundo. Enquanto grandes nações viram as costas para a agenda climática, o Brasil está colocando um resultado concreto na mesa", afirmou ao g1 Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. A queda dos alertas aumenta a expectativa de uma nova redução quando o Inpe divulgar a taxa oficial de desmatamento da Amazônia calculada pelo Prodes. Mas os dois sistemas têm metodologias diferentes, e não é possível antecipar que o percentual de queda será o mesmo. Nesta sexta, o Inpe também divulgou novos dados do Prodes para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, referentes ao período entre agosto de 2024 e julho de 2025. Na Caatinga, a área desmatada caiu 34,3%, de 3.484 km² para 2.289,54 km². Na Mata Atlântica, houve redução de 15,32%, para 402,36 km². Segundo o Inpe, é o menor valor da série iniciada em 2001. No Pampa, o desmatamento recuou 41,7%, para 305,48 km², também o menor nível da série histórica do bioma. LEIA TAMBÉM Por que o Sul é a região mais propensa a tornados no Brasil? Veja como se cadastrar para receber alerta detalhado da Defesa Civil Deter x Prodes 🚨 A medição oficial do desmatamento na Amazônia é feita pelo Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que calcula anualmente a área de floresta efetivamente desmatada. Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) funciona como uma ferramenta de alerta. Ele produz sinais diários de alteração na cobertura florestal em áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), identificando tanto áreas totalmente desmatadas quanto aquelas em processo de degradação, como exploração de madeira, mineração e queimadas. Por isso, os dados do Deter não representam a taxa oficial de desmatamento: eles servem principalmente para indicar onde a destruição da floresta está acontecendo e orientar ações de fiscalização. O número oficial é calculado posteriormente pelo Prodes e costuma ser superior à área apontada pelos alertas do Deter.
Fonte da Reprodução:
https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/08/07/inpe-dados-desmatamento.ghtml